SIDA: Discriminação por parte de profissionais de saúde
Publicado: 2010-12-02 Tópico:Seguro Saúde
Desde Fevereiro que o Centro Anti-discriminação, iniciativa promovida pela Ser+ (Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida) e GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/sida), presta apoio jurídico na área do VIH/SIDA e neste curto espaço de tempo já recebeu 30 denúncias.
Sendo que destas 30, metade está directamente relacionada com a área hospitalar e as restantes também estão relacionadas com a área da saúde, apesar de forma indirecta; falamos portanto de medicina laboral e os seguros de saúde.
Algumas das queixas referem-se a dentistas que se negam a tratar doentes infectados, ou testes de ginecologia que são adiados, além de intervenções abusivas e ilegais por parte dos médicos de trabalho.
Segundo Henrique Barros, o coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida estes números são positivos no sentido em que representam um incentivo para a denúncia destes casos que têm que ser resolvidos. Havendo queixas pode-se tomar uma atitude.
Ainda de acordo com afirmações do coordenador, é chocante ver que estas situações acontecem nos serviços de saúde onde se espera mais informação. No entanto, afirma que há que tomar em consideração que nos serviços de saúde existe uma longa hierarquia com diferentes níveis na cadeia de atendimento, que vai desde os auxiliares até aos administrativos e médicos.
Além disso, na maior parte das vezes não está directamente relacionado com a doença em si mas antes a "falta de educação, profissionalismo e civismo".
Quem mais recorre a este centro são os jovens e as mulheres, estas últimas por utilizarem os serviços para exames mais espcíficos, como a ginecologia. No entanto, muitos dos que recorrem a solicitar ajuda não avançam com os procedimentos necessários, mas se fossem devidamente formalizadas alguns casos podiam, inclusivamente, chegar aos tribunais.
No âmbito do Dia Mundial da Luta contra a SIDA, celebrado ontem dia 1 de Dezembro, o Governo já veio garantir que os cortes previstos na saúde não vão de forma alguma afectar o tratamento dos doentes com VIH. Segundo o mesmo a luta contra a SIDA deve ser uma prioridade tanto a nível político como para o sistema de saúde. Estes tratamentos mostram bem a importância da existência de um Sistema Nacional de Saúde.
